Revista Eletrônica de Ciências
São Carlos,  Número 50, Setembro 2012

De onde vem a água que nós bebemos?

 

Larissa Duarte Araújo Pereira.
Mestranda em Ensino de Ciências e Matemática, ênfase em Biologia. PUC Minas.
E-mail: larissaduartebio@hotmail.com

 

A água é um elemento essencial para a existência dos seres vivos e é um recurso precioso que a terra fornece aos seres. Toda a humanidade necessita da água para consumo e, atualmente, ela está disponível na maioria das casas, por meio de abastecimento a caixas d’água e é retirada por meio de torneiras. O que muitos esquecem, ou não sabem, é de onde a água vem e por onde a água passa até chegar aos lares. Desta forma, este artigo se objetiva a trazer informações sobre o trajeto e tratamento da água até seu destino final.

As nascentes são responsáveis por originar os cursos d’água e a partir delas há formação dos córregos e riachos, que alimentam rios maiores que irão desaguar no mar (Figura 1). As águas presentes nos cursos d’água permitem as mais variadas atividades humanas, como por exemplo, a irrigação de plantações, lavagem de carros, construções, navegação, criação de animais, permite a vida nos rios que gera alimentos e é esta mesma água que abastece nossas caixas d’água, permitindo o consumo como bebida.

 

Figura 1: Ilustração da formação de um curso d’água até a chegada ao oceano.

Atualmente, a água encontrada na natureza é em geral inapropriada para o consumo do homem, devido à presença de uma série de contaminadores que podem ser prejudiciais a saúde. Sendo que, na maior parte das vezes, estes contaminadores são resultantes de atividades do próprio homem (que contamina a água com esgoto, lixos, pesticidas agrícolas, fertilizantes e outros). Desta forma, o homem criou maneiras de retirar a água dos cursos d’água, tratá-la e posteriormente distribuí-la para consumo.

O tratamento da água acontece, geralmente, nas estações de tratamento de água (ETA) e é dividido em algumas etapas, sendo elas: captação, tranquilização, floculação, decantação, filtração, desinfecção e distribuição (Figura 2).

Figura 2: Esquema de tratamento de água em uma ETA.

 

Para captação da água, esta é retirada dos rios e lagos por meio de bombas e levadas por grandes tubulações para armazenamento em tanques nas ETAs. Nesta água, estão presentes poluentes, folhas, galhos de árvores, bactérias, lixos entre outros.

Estes tanques iniciais são as chamadas bacias de tranquilização. Quando a água chega às bacias, tende a perder velocidade e pressão geradas pela sucção das bombas e também, passa por grades que removem os resíduos sólidos maiores, como os vegetais, peixes e lixo. Ainda nos tanques, há dosadores que lançam cloro, para remoção de bactérias e outros microorganismos e dissolver possíveis metais existentes na água.

Logo depois, a água é drenada para canais de coagulação, onde é lançado na água o sulfato de alumínio líquido (que desestabiliza partículas de sujeira), e deslocada para os tanques de floculação, em que a agitação da água leva a formação de grandes flocos de sujeira das partículas em suspensão.

Do tanque de floculação, a água segue para os decantadores, onde os flocos de sujeira tendem a acumular ao fundo e são removidos por equipamentos semelhantes a pás, livrando a água da maior parte de seus poluentes sólidos.

Dada a decantação, a água passa por canaletas localizadas na parte superior dos decantadores e seguem para os filtros. Os filtros são formados por areia, carvão, pedregulhos e cascalho, desta forma, toda a sujeira restante dos processos anteriores são retidos neste momento.

Em última etapa de tratamento, a água é levada a um reservatório em que passa por processo de desinfecção, em que há cloração, alcalinização e fluoretação para torná-la potável.

O cloro possibilita que a água mantenha um teor residual, garantindo a ausência de microorganismos causadores de doenças ao homem. A alcalinização serve para evitar a corrosão das tubulações durante o abastecimento doméstico. E, por fim, a fluoretação ocorre para prevenção de doenças dentais como cáries.

Após estas etapas, a água é então distribuída para a população através de tubulações que levam a água para as caixas d’água das casas para consumo. Embora a água seja enviada pela ETA de forma potável, ela pode ser contaminada nas tubulações, quando há rompimentos ou infiltrações, e nas caixas d’água, se não forem mantidas limpas. Desta forma, é indicado o uso de filtros em casa, para garantir a ausência de resíduos.

O Brasil é um país rico em água doce e possui um dos maiores potenciais hídricos no mundo. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) 80% dos brasileiros possuem água tratada para consumo. Todavia, os rios brasileiros vêm sofrendo grandes impactos gerados do crescimento econômico e populacional do país, principalmente nos grandes centros urbanos.

Embora se tenha água tratada em casa para consumo, alguns dos fatores que comprometem a qualidade da água acabam por impedir o uso da mesma para navegação, natação, pesca e ainda por cima, desequilibram o ecossistema aquático gerando problemas para o ecossistema terrestre como conseqüência.

Alguns dos fatores de impacto são os lançamentos indiscriminados de esgoto doméstico sem tratamento em rios, lagos e oceanos; os efluentes industriais; os agrotóxicos; o lixo de modo geral, agravado pela produção de lixo tecnológico; os desmatamentos e o uso e ocupação inadequada do solo.

Conscientes do trajeto da água até as residências e dos problemas que as águas do Brasil estão a enfrentar, é necessário que os brasileiros cuidem de seus rios, para que as águas permaneçam em condições de tratamento em ETA sem maiores complicações e se conscientizem que este recurso essencial não deve ter grandes alterações, para que os seres vivos permaneçam saudáveis no meio ambiente.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

SABINO, Cláudia de Vilhena Schayer et al.Água de beber, água de viver. Belo Horizonte: Ed. PUC Minas, 1ª Ed., 2011, 202 p.

SEMAD – Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Cartilha: Educação para sustentabilidade nas bacias hidrográficas de Minas Gerais. 2011.

SETTI, Arnaldo Augusto. Introdução ao gerenciamento de recursos hídricos. Brasília: Agencia Nacional de Energia Elétrica, Superintendência de Estudos e Informações Hidrológicas, 2ª Ed., 2000, 207 p.

VENDRAMIN, Mônica. Atividades Educativas:Como funciona uma estação de tratamento de água? Disponível em: http://www.atividadeseducativas.com.br/index.php?id=2089. Acesso em: 27 de Março de 2012.

 

FONTE DAS FIGURAS

Figura 1: Disponível em: http://imagensdolucio.blogspot.com.br/2011/05/rio-ilustracao-de-um-rio-nascente.html. Acesso em: 01 de Abril de 2012.
Figura 2 (Modificada): Disponível em: http://www.agr.sc.gov.br/f/i/tratamento.jpg. Acesso em: 01 de Abril de 2012.

 SUGESTÃO DE LEITURA

 VENDRAMIN, Mônica. Atividades Educativas: Como funciona uma estação de tratamento de água? Disponível em: http://www.atividadeseducativas.com.br/index.php?id=2089. Acesso em: 27 de Março de 2012.