Revista Eletrônica de Ciências
São Carlos,  .
Número 23, Janeiro de 2004 Artigo

A Expressão Paulistana em Luz, Som e Movimento

Henrique Ferraz
Estudante de Arquitetura e Urbanismo da EESC-USP - Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo
e-mail: henriqueferraz_arqurb@yahoo.com.br

`A Margem da Imagem
Ação Entre Amigos
Aqui Favela, O Rap Representa
Através da Janela
O Bandido da Luz Vermelha
Bellini e a Esfinge
Boleiros - Era uma vez o Futebol...
Carandiru
Um Céu de Estrelas
O Corintiano
Cronicamente Inviável
De Passagem
Domésticas, o Filme
Durval Discos
Eles Não Usam Black-tie
A Festa
O Grande Momento
O Homem que Virou Suco
O Invasor
Jogo Duro
Noite Vazia
Pixote, a Lei do Mais Fraco
O Príncipe
O Prisioneiro da Grade de Ferro (Altos Retratos)
O Puritano da Rua Augusta
Quebrando a Cara
Quem Matou Pixote?
Sábado
São Paulo em Festa
São Paulo S/A
São Paulo - Sinfonia e Cacofonia

Urbania

À Margem da Imagem

Direção de Evaldo Mocarzel.
2002.
Documentário.
Com moradores de rua de São Paulo.
Duração: 72 minutos.
Premiado nos festivais de Gramado e do Rio de Janeiro.
Apresenta os inúmeros moradores de rua de São Paulo, expondo os excluídos na cidade do dinheiro. Enfoca sua condição nômade na área central de São Paulo e como vivem ao reaproveitar o que os outros descartam. Mostra junto os bastidores, valorizando a relação câmera-personagem-fala, sem o uso de trilha sonora.

Ação Entre Amigos

Direção de Beto Brant.
1998.
Drama.
Música de André Abujamra.
Com Leonardo Villar, Zecarlos Machado, Cacá Amaral, Carlos Meceni, Genésio de Barros, Melina Athís, Rodrigo Brassaloto, Sérgio Cavalcante, Heberson Hoerbe, Douglas Simon e José Mayer.
Duração: 76 minutos.
Indicado ao Globo de Ouro.
Quatro amigos participaram da luta armada contra o regime ditatorial em 1971, sendo presos ao assaltar um banco em nome da causa. São torturados, mas sobrevivem. 25 anos depois, descobrem quem foi o responsável por seus sofrimentos e tramam suas vinganças. O filme apresenta um roteiro conciso e explora as possíveis variações entre os sentimentos que o tempo não apagou.

Aqui Favela, o Rap Representa

Direção de Júnia Torres e Rodrigo Siqueira.
2003.
Documentário.
Com
Mano Brown, Thaíde, Nelson Triunfo, Afrika Bambaataa, Interferência, Elemento, Ronaldo Black, N.U.C., Clodoaldo Arruda, Lady Rap, Sharylaine e Milton Sales.
Duração: 82 minutos.
História do movimento Hip-Hop em São Paulo e Belo Horizonte, desenvolvendo a questão da identidade, suas raízes africanas, o valor próprio e a indústria cultural.

Através da Janela

Direção de Tata Amaral.
2000.
Drama.
Música de Lívio Tragtemberg e Wílson Sukorski.
Com
Laura Cardoso, Fransérgio Araújo, Ana Lúcia Torre, Leona Cavalli, João Batista Acaibe, Antônio Petrin, Débora Duboc, José Rubens Crachá, Márcio Aurélio e Daniela Antonelli.
Duração: 82 minutos.
Indicado ao Grande Prêmio Cinema Brasil, premiado no festival de Recife e três prêmios no festival de cinema brasileiro de Miami.
As dificuldades de uma viúva criar seu jovem filho em duros tempos num bairro economicamente pobre. Explora as relações de família e as relaciona com a exclusão social da cidade.

O Bandido da Luz Vermelha

Direção de  Rogério Sganzerla.
1968.
Policial.
Música de
Rogério Sganzerla.
Com Paulo Vilaça, Helena Ignez, Sérgio Hingst, Luiz Linhares, Sônia Braga, Ítala Nandi, Hélio Aguiar, Pagano Sobrinho, Roberto Luna, Sérgio Mamberti e Carlos Reichenbach.
Duração: 92 minutos.

A história de um misterioso bandido que usa de técnicas extravagantes para assaltar em São Paulo. Marco do cinema marginal, usa o deboche, principalmente nos longos diálogos do bandido com suas vítimas.

Bellini e a Esfinge

Direção de Roberto Santucci Filho.
2001.
Policial.
Música de Tony Bellotto, Andreas Kiesser, Eduardo Queiróz e Charles Gavin.
Com
Fábio Assunção, Malu Mader, Maristane Dresch, Eliana Guttman, Paulo Hesse, Marco Damigo, Rosaly Papadopol, Cláudio Gabriel, Carlos Meceni, Max, Neusa Velasco, Jedson Costa e Vera Mancini.
Duração: 120 minutos.
Premiado no festival do Rio de Janeiro.
Prende a atenção do espectador, envolvendo-o na narrativa. Conta uma história de um detetive comum à procura de uma prostituta e da explicação para um assassinato de um médico - nesta busca se contrastam o Brasil da classe média com o Brasil de milhões de habitantes menos remunerados.

Boleiros - Era uma vez o Futebol...

Direção de Ugo Giorgetti.
1998.
Drama/comédia.
Música de Mauro Giorgetti.
Com Adriano Stuart, Flávio Migliaccio, Otávio Augusto, Cássio Gabus Mendes, Rogério Cardoso, João Acaiabe, André Abujamra, Cazé Pecini, Oswaldo Campozana, Lima Duarte, André Bicudo, Aldo Bueno, César Negro, Paulo Coronato, Elias Andreato, Cléber Colombo, Denise Fraga, Antonio Grassi, Bruno Giordano, Eduardo Mancini, Róbson Nunes, Adílson Pancho, João Motta e Marisa Orth.
Duração: 93 minutos.
O cenário é o Bar do Elias, um tradicional bar paulistano onde antigos jogadores se reencontram para lembrar o passado. Traça um paralelo entre a vida de jogador de hoje e antigamente e a violência crescente no futebol. Brasileiríssimo.

Carandiru

Direção de Hector Babenco.
2003.
Drama.
Música de André Abujamra.
Com Luiz Carlos Vasconcelos, Milton Gonçalves, Ailton Graça, Maria Luisa Mendonça, Aída Lerner, Rodrigo Santoro, Gero Camilo, Floriano Peixoto, Ricardo Blat, Vanessa Gerbelli, Leona Cavalli, Wagner Moura, Caio Blat, Julia Ianina, Sabrina Greve, Lázaro Ramos, Gabriel Braga Nunes, Ivan de Almeida, Milhem Cortaz, Dionisio Neto, Antonio Grassi, Rita Cadillac, Enrique Diaz, Robson Nunes, Bukassa , André Ceccato, José de Paiva, Luis Miranda, Marcelo Palmares, Nill Marcondes, Regis Santos, Roberto Audio, Sabotage, Sergio Loroza, Silvio Roberto, Val Pires, Walter Breda, Maurício Marques, Oscar Magrini, Marcelo Escorel, Luciano Quirino e Emboscada.
Duração: 146 minutos.

Premiado no festival de cinema novo de Havana.
Até este filme ser feito, a maior filmagem dentro do presídio Carandiru era os sete minutos do video-clipe "Diário de um Detento", dos Racionais MC's. O filme mostra a vivência do médico Dráusio Varella (relatada em seu livro "Estação Carandiru") como responsável por um posto de saúde dentro do presídio, algum tempo antes do crime hediondo: a morte oficialmente confirmada de 111 presos, em 2 de Outubro de 1992, pela tropa de choque da Polícia Militar (o governador na ocasião era Luiz Antonio Fleury Filho). Explora os depoimentos dos presidiários (entre cenas do consultório e flash das narrativas) e conclui que - pelas suas versões - ninguém é culpado. A banalização da violência com o respaldo de seu meio como fonte. Um olhar amoral sobre a vida marginalizada da cidade grande, hábitos e verdades multi-facetadas, sem uma trilha sonora frenética.

Um Céu de Estrelas

Direção de Tata Amaral.
1996.
Drama.
Música de
Livio Tratemberg e Wilson Sukorski.
Com
Leona Cavalli, Paulo Vespucio Garcia, Lígia Cortez, Nea Simões, Norival Rizzo, Rosa Petrin e Alexandra Marzo.
Duração: 75 minutos.

Premiado no festival de cinema latino de Boston.
Na zona leste paulistana, uma cabelereira da Mooca resolve romper seu relacionamento de 10 anos com um metalúrgico e, assim, abandonar sua realidade opressiva.

O Corintiano

Direção de Milton Amaral.
1966.
Comédia.
Música de Hector Lagna Fietta.
Com Mazzaropi, Elizabeth Marinho, Lucia Lambertini, Nicolau (Totó) Guzzardi, Carlos Garcia, Roberto Pirillo, Leonor Pacheco, Roberto Orosco, Augusto Machado de Campos, Xandó Batista, Francisco Gomes, Olten Ayres de Abreu, Gláucia Maria, Herta Hille, Ziara Freire, João Batista de Souza, Humberto Militello, Rogério Camara, Augusto César Ribeiro, Kapé, Claudio Maria e Eliza.
Duração: 98 minutos.
Clássico da comédia de Amácio Mazzaroppi, ilústre ator paulista que fez mais de 30 filmes, sendo que dirigiu mais de treze. Neste, ele interpreta um torcedor fanático pelo Corinthians e enfrenta problemas com seus vizinhos (palmeirenses) e filhos.

Cronicamente Inviável

Direção de Sérgio Bianchi.
2000.
Drama.
Música de Miriam Biderman.
Com
Cecil Thiré, Betty Gofman, Daniel Dantas, Dan Stulbach, Umberto Magnan, Dira Paes, Leonardo Vieira, Cosme Santos, Zezé Mota, Zezeh Barbosa, Cláudia Mello, Rodrigo Santiago e Gero Camilo.
Duração: 101 minutos.
Recebeu o Prêmio HBO de Cinema e foi indicado ao Grande Prêmio Cinema Brasil.
Crítica de um país que, em seus mais íntimos detalhes, choca. Cenas e histórias, dos pampas gaúchos à floresta amazônica, passando - necessariamente - por São Paulo. Trabalha o nojo de relações sociais preconceituosas e burguesas através de um aspecto de documentário: a angústia por tudo ser imutável, sob uma estética do choque, que faz do Brasil, na opinião de Sérgio Bianchi, inviável e crônico. Pontos de vista distintos são apresentados sem que um anule o outro. Ao abstrair as vítimas, retira também a culpa: rir do humor negro deste filme, em algum momento, é rir de si mesmo.

De Passagem

Direção de Ricardo Elias.
2003.
Drama.
Música de André Abujamra.
Com
Silvio Guindane, Fábio Nepô, Lohan Brandão, Glennys Rafael, Paulo Igor, Francisca Queiroz, Priscila Dias, Wilma De Souza, Lucelia Machiavelli e Mariana Loureiro.
Duração: 87 minutos.

Cinco premiações no festival de Gramado.
O filme reúne dois momentos marcantes e distintos na vida de três amigos da periferia. Amigos quando crianças, ao se tornarem adultos, seus dilemas se fortalecem, entre o exército e o tráfico de drogas. Numa viagem pela cidade, relembram seu passado e a antiga cidade, vista modificada pela janela do trem urbano.

Domésticas, o Filme

Direção de Nando Olival e Fernando Meirelles.
2001.
Drama/comédia.
Música de André Abujamra.
Com Cláudia Missura, Graziella Moretto, Lena Roque, Olívia Araújo, Renata Melo, Robson Nunes, Tiago Moraes e Gero Camilo.
Duração: 90 minutos.

O filme usa da linguagem dos figurantes da vida real para contar suas histórias: empregadas domésticas, porteiros, moto-boys, vigilantes. De acordo com Fernando Meirelles, o foco são pessoas que todos temos contato, mas que são tratadas como invisíveis. A trilha sonora sai como que de um rádio de pilha, ligado enquanto a diarista passa as roupas. Histórias conjuntas tratam de um tema coletivo em todos seus aspectos.

Durval Discos

Direção de Anna Muylaert.
2002.
Drama.
Música de André Abujamra.
Com Ary França, Etty Fraser, Marisa Orth, Isabela Guasco, Letícia Sabatella, Rita Lee, André Abujamra e Theo Werneck.
Duração: 96 minutos.

Premiado no festival de Gramado.
Um filme sobre uma loja de discos: inclusive, uma história com seu lado A e seu lado B. Trabalha a passagem da era dos anacrônicos discos para os "modernos" compact-dics, discorre sobre antigos álbuns que acabaram não sendo relançados em seu formato digital e sobre o dono da loja - Durval - que, em 1995, vende discos dos anos 70 em Pinheiros, por questões puramente afetivas e não comerciais. O amparo de Durval por ter parado no tempo (numa cidade que a única constante é a mudança contínua) se encontra na forte relação com sua mãe - quase umbilical. Sua linguagem se baseia em longos planos que não tem pressa para passar sua mensagem ao espectador. Mas esta história vai até mais ou menos a metade do filme: seu lado B é humor negro, associado à uma trilha sonora no mínimo frenética, com cenas surreais, que fazem o espectador ter ataques de agonia.

Eles Não Usam Black-tie

Direção de Leon Hirszman.
1981.
Drama.
Música de
Adoniran Barbosa, Chico Buarque de Hollanda e Gianfrancesco Guarnieri.
Com
Gianfrancesco Guarnieri, Paulo José, Francisco Milani, Milton Gonçalves, Fernanda Montenegro, Bete Mendes, Antônio Petrin, Carlos Alberto Riccelli, Carlos Augusto Strazzer, Anselmo Vasconcelos, Nelson Xavier, Flávio Guarnieri, Lélia Abramo, Gésio Abreu, João Acaiabe, Maurício Amalfi, José Araújo, Jalusa Barcelos, Fernando Bezerra, Luiz Carlos Borges, Oduvaldo Brito, Aldo Bueno, Cachimbo, Leide Câmara, Rosiete Cavalcanti, Renato Consorte, Carlos Costa, Denoy de Oliveira, Walter Cruz, Eduardo da Conceição, Francisca da Conceição, Antônio Joaquim da Silva, Fernando Ramos Da Silva, Genésio de Barros, Rafael de Carvalho, Antonio De Pieri, Mercedes Dias, Ricardo Dias, João França, Maria Júlia Gomes, Cilas Gregório, Antonio Leite, Teresa Maldonado, Dirce Marques, Gilberto Moura, Maria Letícia Nascimento, Lizete Negreiros, Lene Nunes, Fernando Peixoto, Israel Pinheiro, Amaury Pinto, Almir Ribeiro, Cristina Rodrigues, Wilson Silva, Luiz Tedax e Tony Wilson.
Duração: 134 minutos.

O filme retrata São Paulo em 1980. Um jovem operário e sua namorada decidem casar-se ao mesmo tempo que inicia-se uma greve, dividindo a categoria metalúrgica. Conflitos de gerações e dilemas familiares em meio à repressão dos patrões.

A Festa

Direção de Ugo Giorgetti.
1989.
Comédia/drama.
Com  Antonio Abujamra, Otávio Augusto, Lala Dehenzelin, Iara Jamra, Ney Latorraca, José Lewgoy, Jorge Mautner, Patrícia Pillar, Adriano Stuart e Marcelo Mansfield.
Duração: 87 minutos.

Cinco prêmios no festival de Gramado e mais cinco no Rio Cine Festival.
Personagens atípicos (um gaitista, um senhor e um jogador de snooker) são contratados para animarem uma rica festa. Enquanto aguardam, discutem o que podem fazer.

O Grande Momento

Direção de Roberto Santos.
1957.
Drama.
Música de Alexandre Gnatali.
Com Gianfrancesco Guarnieri, Myriam Pérsia, Jayme Barcellos, Vera Gertel, Paulo Goulart, Norah Fontes.
Duração: 80 minutos.
Toda lírica paulistana dos anos 1960, através de um passeio de bicicleta. Família de classe média se encontra em crise financeira, ao se deparar com um ritual socialmente cobrado: o casamento. Dificuldades, necessidade, aflição, desespero e um final cheio de perspectivas e esperanças.

O Homem que Virou Suco

Direção de João Batista de Andrade.
1980.
Drama.
Música de Vital Farias.
Com
José Dumont, Aldo Bueno, Rafael de Carvalho, Ruthinéa de Moraes, Denoy de Oliveira, Dominguinhos, Ruth Escobar, Vital Farias, Barros Freire, Célia Maracajá, Renato Master, Luiz Alberto Pereira e Pedro Sertanejo.
Duração: 90 minutos.

Medalha de ouro no festival de Moscou, premiado no festival de Gramado, de Brasília, de Huelva (Espanha), Nevers (França), Prêmio Qualidade Concine (Brasil) e São Saurê (Rio de Janeiro).
O encontro do poeta nordestino e a grande São Paulo. Discute a relutância frente a uma sociedade opressora, diminuindo o homem e eliminando suas origens.

O Invasor

Direção de Beto Brant.
2001.
Drama.
Música de Paulo Miklos, Pavilhão 9, Tolerância Zero e Professor Antena.
Com Alexandre Borges, Malu Mader, Paulo Miklos, Marco Ricca, Mariana Ximenes, Chris Couto, George Freire, Tanah Correa e Jayme del Cuento.
Duração: 97 minutos.
Premiado no Sundance Film Festival e seis prêmios no festival de Brasília.
História de ação em São Paulo, cenário de crise e medo, onde quase sempre "o mocinho perde para o vilão". Uma alegoria fictícia que se ampara em traços do contemporâneo, mesclando empresários (que não querem "sujar suas mãos") e criminosos (que não se contentam com a postura de subordinados) como engrenagens de um sistema que pode se comparar à uma bomba prestes à explodir. A realidade periférica não é analisada como fraqueza social, pobreza, mas sim afirmação potente da sua presença e força. Participação exemplar de Sabotage (Mauro Mateus dos Santos), rapper, ex-detento da Febem e ex-traficante de drogas, morto em 25 de Janeiro de 2003 por quatro tiros na zona sul de São Paulo.

Jogo Duro

Direção de Ugo Giorgetti.
1985.
Drama.
Música de Mauro Giorgetti.
Com Cininha de Paula, Jesse James, Carlos Augusto Carvalho, Valéria de Andrade, Carlos Costa, Antônio Fagundes, Cleide Yáconis, Paulo Betti, Eliane Giardini, Luis Guilherme, Carlos Meceni, Paulo Ivo, Verônica Teijido, Luis Furnaletto, Walter de Andrade, Umberto José Magnani, Isabel Teixeira, Carlos Lourenço de Carvalho, Celso Rorato, Abílio de Barros, Márcio Araújo, Rogério Neves, Marco Zulian, Ibkahin El Owa, Guido Maroni e Cássio Giorgetti
Duração: 91 minutos.
Dois prêmios no festival de Brasília e quatro no festival do Ceará.
Primeiro longa de Ugo Giorgetti, se ambienta numa casa abandonada no rico bairro do Pacaembu. Uma mulher e sua filha moram na casa clandestinamente. O conflito entre os direitos dos personagens numa casa que não lhes pertence é a essência do filme.

Noite Vazia

Direção de Walter Hugo Khouri.
1964.
Drama.
Música de
Rogério Duprat e Sérgio Mendes.
Com Norma Bengell, Odete Lara, Mario Benvenuti e Gabriele Tinti.
Duração: 98 minutos.
A aridez da cidade contrastando com seus personagens que sempre buscam algum tipo de transcendência, mesmo que pelo sexo pago. Os personagens representam diferentes tipos paulistanos: o industrial voraz, o jovem pobre e sem rumo, as prostitutas de temperamentos opostos.

Pixote, a Lei do Mais Fraco

Direção de Hector Babenco.
1981.
Drama.
Música de John Neschling.
Com Fernando Ramos da Silva, Marília Pera, Jorge Julião, Gilberto Moura, Edílson Lino, Zenildo Oliveira Santos, Cláudio Bernardo, Israel Feres David, José Nílson Martins dos Santos, Jardel Filho, Rubens de Falco, Elke Maravilha, Tony Tornado, Beatriz Segall e Ariclê Perez.
Duração: 127 minutos.
Premiado com o Leopardo de Prata, no festival de Locarno, e indicado ao Globo de Ouro.
Abandonado por seus pais, um garoto rouba para sobreviver nas ruas de São Paulo. Passado por reformatórios, só ajudou sua revolta e o contato com as drogas, convivendo com criminosos delinqüentes. Este filme pode ser considerado um legado do cinema marginal, que hoje nos trouxe Carandiru, Cidade de Deus, Ônibus 174, dentre outros. Detalhe para quando Babenco reproduz o quadro da Virgem Maria amamentando Jesus traduzindo para uma cena entre uma prostituta e um menor de rua.


O Príncipe

Direção de Ugo Giorgetti.
2002.
Drama.
Música de Mauro Giorgetti.
Com  Eduardo Tornaghi, Bruna Lombardi, Ricardo Blat, Nydia Licia, Ewerton de Castro, Otávio Augusto, Elias Andreato, Marcia Bernardes, Bruno Giordano, Luiz Guilherme, Ligia Cortez, Henrique Lisboa, Luis Carlos de Moraes, Thiago Pinheiro, Maestro Julio Medaglia, Adriano Stuart, Rosaly Papadopol, Wandi Doratiotto, Aldo Bueno, Felipe Folgosi, Jorge Bouquet, Rui Minharro e Andreia Mattar.
Explora o potencial cinematográfico da cidade, com grandes tomadas externas vinculadas aos personagens. O retorno à São Paulo após 20 anos em Paris faz das câmeras o olhar de estranhamento ao novo. O íntimo das personagens é externado no filme. O expectador, de agente externo, se vê mergulhado na trama. Vila Madalena, avenida Berrini e a praça Dom José Gaspar são alguns cenários do filme.

O Prisioneiro da Grade de Ferro (Altos Retratos)

Direção de Paulo Sacramento.
2003.
Documentário.
Elenco não divulgado.
Duração: 123 minutos.
Premiado no festival de Gramado e no festival do Rio de Janeiro.
No festival internacional de documentários É Tudo Verdade, ganhou dois prêmios. Um ano antes de ser desativado, detentos do Carandiru conseguem filmar e documentar o cotidiano do maior presídio da América Latina.

O Puritano da Rua Augusta

Direção de Amácio Mazzaropi.
1965.
Comédia.
Música de Hector Lagna Fietta.
Com Amácio Mazzaropi, Marly Marley, Marina Freire, Elisabeth Hartman, Edgard Franco, Henricão, Gladys, Julia Kovacs, Darla, Marlene Rocha, Carlos Garcia, Zéluiz Batista Pinho, Claudio Maria, Augusto César Ribeiro, Aristides M. Ferreira, Cleusa Maria, Etelvina dos Santos, Humberto Militello, Durvalino Simões, Sonia Maria dos Santos, João Batista de Souza e Celso F. Guizard.
Duração: 102 minutos.
Industrial puritano, rico e rígido em choque com seus filhos e sua esposa por incompatibilidade de idéias. Essa situação leva-o a um trauma, que muda seu comportamento. Um exemplo de um filme interpretado e dirigido por Mazzaropi.

Quebrando a Cara

Direção de Ugo Giorgetti.
1986.
Documentário.
Música de Mauro Gioegetti.
Com Eder Jofre, Waldemar, Tonico, Ralph, Ricardo, Olga, Angelina, Kid Jofre, C. Toneli, Lucrécia, Mauro, Dogalberto, Silvano, Eder Cláudio, Quinzinho, Flávio Araújo, Pedro Luiz, Walter Abrão e Eli Coimbra.
Duração: 75 minutos.
Premiado no festival de Brasília.
A saga da família Zumbano-Jofre, nos ringues paulistanos. A cidade através dos personagens, como se fosse um deles, e, em paralelo, a história de Eder Jofre, bicampeão mundial de boxe e do bairro do Peruche.

Quem Matou Pixote?

Direção de José Joffily.
1996.
Documentário/drama.
Música de Maurício Maestro e David Tygel. Com Cassiano Carneiro, Luciana Rigueira, Joana Fomm, Tuca Andrada, Roberto Bomtempo, Carol Machado, Maria Luísa Mendonça, Antônio Abujamra, Paulo Betti, Maria Lúcia Dahl, Antônio Petrin, Anselmo Vasconcelos, Henrique Pires, Thiago Vidal, Orlando Vieira e José Louzeiro.
Duração: 93 minutos.
Premiado no festival de Havana e sete prêmios no festival de Gramado.
Um semi-analfabeto ficou conhecido por interpretar o protagonista de "Pixote - A Lei do Mais Fraco", de Hector Babenco. Ao acabar a fama, ele não conseguiu trabalho como ator e, no desespero, acabou se envolvendo no crime, como o personagem que interpretou.

Sábado

Direção de Ugo Giorgetti.
1994.
Comédia.
Música de Mauro Giorgetti.
Com Otávio Augusto, Maria Padilha, Tom Zé, Giulia Gam, André Abujamra, Jô Soares, Elias Andreato, A.S. Cecílio Neto, Renato Consorte, Carina Cooper, Mariana Lima, Cláudio Mamberti, Décio Pignatari, Gianni Ratto, Sérgio Viotti, Márcia Manfredini, Rubens Rivelino, Wandi Doriatiotto e Wellington.
Duração: 85 minutos.
Em São Paulo, uma equipe de publicidade usa o saguão do Edifício das Américas, no centro da cidade, para gravar um comercial num sábado. Quando o elevador quebra, obriga equipe e moradores a dividirem o mesmo espaço por um longo tempo, surgindo incidentes.

São Paulo em Festa

Direção de Lima Barreto.
1954.
Documentário.
Imagens da cidade em seus 400 anos.

São Paulo S.A.

Direção de Luiz Sérgio Person.
1965.
Drama.
Música de Cláudio Petraglia.
Com Walmor Chagas, Eva Wilma, Otelo Zeloni, Ana Esmeralda, Nadyr Fernandes, Osmano Cardoso, Sílvio Rocha, Armando Paschoal e Altamiro Martins.
Duração: 111 minutos.
Premiado na Mostra de Novo Cinema (Itália).
Um jovem de classe média se junta a um rico empresário de São Paulo. Este leva uma vida padrão, mas está insatisfeito e resolve mudá-la. Em paralelo, o rompimento com o modelo burguês de trabalho e acumulação de bens. Também um rompimento com a cidade (se isto  fosse possível). Considerada uma das únicas obras representante paulista do Cinema Novo.

São Paulo, Sinfonia e Cacofonia

Direção de Jean-Claude Bernardet.
1984.
Documentário.
Duração: 40 minutos.
No aniversário de 80 anos de São Paulo, uma ode de amor e ódio à cidade paulistana. Imagens e ruídos que expressam o prazer e a angústia desta cidade.

Urbania

Direção de Flávio Frederico.
2001.
Documentário.
Música de Mário Manga.
Com Turíbio Ruiz, Adriano Stuart e Ignácio de Loyola Brandão.
Duração: 70 minutos.
Em Urbania, ficção e documentário se mesclam ao contar a história da metrópole paulistana nos últimos 50 anos. Isto é obtido com personagens fictícios dialogando nas ruas com pessoas reais. Expõem o processo de favelização das periferias de São Paulo. Destaque para a Boca do Lixo e o bairro dos Campos Elíseos.
Fontes de Pesquisa:

© Revista Eletrônica de Ciências - Número 23 - Janeiro de 2004.