Revista Eletrônica de Ciências
São Carlos,  .
Número 02, Dezembro de 2001 Artigo

Materiais dentários

Regina Helena Porto Francisco
Professora Dra. do IQSC-USP - Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo
e-mail: porto@iqsc.usp.br

O melhor material dentário é, e sempre será, o dente natural que consiste numa mistura de hidroxiapatita e colágeno. Seu ponto fraco é que pode ser destruído pela ação do ácido láctico resultante do metabolismo de bactérias, presentes na boca, principalmente a Streptococcus mutans. Este processo gera as cáries e muita pesquisa tem sido desenvolvida para a obtenção de materiais que tenham as propriedades mecânicas do dente natural e também resistência a reações químicas com o ácido láctico e com outras substâncias presentes na saliva e nos alimentos.

Os materiais usados na restauração dos dentes devem combinar um conjunto de características especiais. Devem ser de fácil preparo e aplicação, apresentar alta resistência à degradação e corrosão no ambiente bucal, além de serem biologicamente inertes, adquirir rapidamente as propriedades mecânicas necessárias como alta resistência a pressões, expansão térmica compatível com o dente natural, selar hermeticamente com o tecido dentário vizinho, apresentar cor e transparência compatíveis com o dente natural e ainda ser barato.

Atualmente sua composição envolve, geralmente, mercúrio, prata, estanho, cobre e índio. O mercúrio é considerado um veneno bastante perigoso pois uma vez absorvido pelo organismo, nele permanece, causando intoxicação. A eliminação é difícil devido à sua preferência por ligar-se a compostos que não se dissolvem em água e portanto não são expelidos na urina.

Entretanto, a ingestão de mercúrio ocorre através de alimentos contaminados (peixes, carne e verduras) ou de inalação de vapores do metal. O mercúrio presente no amálgama das restaurações dentárias está numa fase muito estável e não sai, não se dissolve, e porisso não é absorvido pelo organismo. Portanto o uso deste material é bastante seguro.

Este material deve reagir, polimerizando, por ocasião da aplicação. Ele é comercializado em sistemas de uma ou duas pastas. No primeiro caso a polimerização é induzida por luz visível azul e no segundo caso ocorre reação química entre as pastas.

Estas resinas compósitas apresentam boas características estéticas e de resistência mecânica ao uso, mas devido ao tipo de reação, a restauração pode sofrer encolhimento e conseqüentemente ocorrerem infiltrações.

Uma vez na boca, o ionômero de vidro é translúcido, adere bem ao tecido natural, tem alta resistência à compressão e a ataques por ácido e água. Além disso, ele pode liberar flúor lentamente para o tecido natural, aumentando a resistência a cáries.

Quando o material é misturado para aplicação ocorrem duas reações: uma de neutralização que se inicia imediatamente e outra, de polimerização, que complementa a primeira. São, então, formadas duas matrizes que se interpenetram: uma é iônica e resulta da reação ácido/base e a outra, orgânica, é formada pela polimerização.

As resinas carboxiladas não são solúveis em água e por isso não ocorre reação de neutralização. Ocorre apenas polimerização por adição. Posteriormente pode haver captura de água da saliva e conseqüente ativação de grupos ácidos que reagirão com a carga inorgânica básica. O resultado é o desenvolvimento de matriz embebida com sais que fará a liberação lenta de flúor. Este material tem tido boa aceitação entre os dentistas, dada as suas qualidades estéticas e principalmente a sua performance clínica.

Novos materiais ainda serão desenvolvidos buscando o aperfeiçoamento do trabalho de restauração dentária. Entretanto, deve-se ter em mente que a principal batalha deve ser a prevenção dos problemas e a manutenção  da saúde bucal, através de programas de saúde pública.


© Revista Eletrônica de Ciências - Número 2 - Dezembro de 2001.